Um item de baixo faturamento pode ser o mais crítico do estoque de uma clínica veterinária, e a maioria dos métodos de classificação não enxerga essa diferença. A Curva ABC é o ponto de partida para resolver isso: classifica o estoque por prioridade, com base em dados reais de giro, e mostra onde o capital e a atenção da operação realmente estão concentrados.

Em resumo, a Curva ABC é um método que separa os itens do estoque em três faixas, A, B e C, conforme a participação de cada um no faturamento. Calcular a sua começa por listar todos os itens com o histórico de giro dos últimos doze meses, ordenar por participação e marcar os cortes de 80%, 95% e 100% do faturamento acumulado.

Principais pontos deste guia

  • A Curva ABC vem do Princípio de Pareto: uma fração pequena dos itens concentra a maior parte do faturamento.
  • O cálculo usa o histórico real de giro, normalmente doze meses, com cortes de 80%, 95% e 100%.
  • A proporção 80/20 é referência, não regra fixa. Cada estoque tem a sua distribuição, e só o cálculo com dados reais revela onde ela cai.

O que é a Curva ABC e por que ela vem do Princípio de Pareto

A Curva ABC é um método de classificação de estoque que separa os itens em três faixas de prioridade, de acordo com a participação de cada um no faturamento ou no consumo do negócio. A lógica vem do Princípio de Pareto, formulado pelo economista Vilfredo Pareto, segundo o qual uma pequena parcela dos itens costuma concentrar a maior parte do resultado financeiro. 

Aplicado a estoque, isso significa que uma fração pequena do catálogo de um pet shop ou de uma clínica veterinária responde pela maior parte do faturamento, enquanto uma fração grande responde por uma fatia pequena.

Essa divisão não é uma criação específica do setor pet. O mesmo padrão aparece descrito em conteúdo de gestão financeira geral, em plataformas de CRM e vendas e em fornecedores de sistemas de gestão empresarial, sempre com a mesma lógica: classificar A, B e C por participação decrescente no resultado. 

O fato de o padrão se repetir de forma idêntica em setores tão diferentes reforça que não se trata de uma convenção do varejo pet, mas de uma convenção geral de gestão de estoque que o setor pet ainda aplica pouco de forma nomeada.

Um estudo de caso conduzido em uma farmácia hospitalar do SUS em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, mediu essa concentração na prática: entre 372 itens analisados, 23 deles, ou 6,2% do total, responderam por 75,9% do gasto da farmácia. É uma concentração ainda mais acentuada do que a divisão de manual costuma sugerir, e reforça que o padrão de mercado, algo como 80% do faturamento vindo de 20% dos itens, é uma referência, não uma regra fixa que se repete igual em qualquer operação. Cada mix de produtos tem sua própria distribuição, e só o cálculo com dados reais revela onde ela cai.

Como calcular a Curva ABC do seu estoque passo a passo

O cálculo da Curva ABC começa por listar todos os itens do estoque com seu histórico de giro ou faturamento em um período representativo, normalmente os últimos doze meses. Em seguida, calcula-se a participação percentual de cada item no total do período, ordena-se a lista da maior para a menor participação e soma-se o percentual acumulado item a item, até identificar onde os cortes de 80%, 95% e 100% caem. Os itens que, somados, chegam a 80% do faturamento acumulado entram na Curva A. Os que levam o acumulado até cerca de 95% entram na Curva B. O restante forma a Curva C.

Um exemplo simplificado ilustra a lógica: em um catálogo com cem itens ordenados por faturamento decrescente, os vinte primeiros costumam já somar em torno de 80% do faturamento acumulado e entram na Curva A, os trinta seguintes levam o acumulado a cerca de 95% e entram na Curva B, e os cinquenta restantes completam o total na Curva C. Na prática, o corte exato varia de operação para operação, e é justamente essa variação que torna necessário refazer o cálculo com o histórico real de cada estoque, em vez de assumir que a proporção padrão de mercado vai se repetir automaticamente.

A confiabilidade desse cálculo depende inteiramente da qualidade do dado de giro usado como base. Uma classificação feita a partir de estimativa ou percepção do gestor, sem histórico real de vendas e reposição, tende a distorcer a faixa de cada item e a comprometer as decisões de compra que dependem dela. Por isso, a Curva ABC não é um exercício de uma vez só: precisa ser recalculada periodicamente, porque um item sazonal que hoje está na Curva C pode migrar para a Curva A durante o pico de demanda, e o inverso também acontece quando a sazonalidade passa. Recalcular a cada trimestre, ou sempre que o mix mudar de forma relevante, evita que a classificação fique defasada em relação ao comportamento real de compra dos clientes.

Próximo passo

Antes de decidir comprar mais ou comprar menos, levante o histórico de giro dos últimos doze meses e aplique os cortes de 80%, 95% e 100%. Esse mapa já revela onde o capital e a atenção da operação estão concentrados, e é a base para as próximas decisões de compra. Para manter os itens de maior prioridade sempre disponíveis, conte com a Cooper Nutri Pet como distribuidor na Grande São Paulo.

Perguntas frequentes

Como calcular a Curva ABC?

Listando os itens do estoque com o histórico de giro dos últimos doze meses, ordenando por participação no faturamento e marcando os cortes de 80%, 95% e 100% do percentual acumulado. Até 80% é Curva A, até cerca de 95% é Curva B, e o restante é Curva C.

De onde vem a Curva ABC?

Do Princípio de Pareto, formulado pelo economista Vilfredo Pareto, segundo o qual uma parcela pequena dos itens concentra a maior parte do resultado financeiro. A Curva ABC aplica essa lógica à gestão de estoque.

Com que frequência recalcular a Curva ABC?

A cada trimestre, ou sempre que o mix de produtos mudar de forma relevante, porque um item sazonal pode migrar de faixa ao longo do ano.

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